O mal do século
Hoje li um texto muito interessante. Era um tema muito comum para mim, tratava sobre discriminação racial na televisão e como a mídia é usada para perpetuar velhos preconceitos. Claro que eu já tinha conhecimento da maioria das coisas citadas pela autora. Mas o que mais chamou minha atenção foi a indignação daquelas palavras. Pois embora eu soubesse tudo o que estava escrito em momento algum pensei em manifestar minha indignação como a escritora.Creio que isso se deve a uma doença dos tempos modernos: o comodismo.
O comodismo é uma infecção transmitida pelo vírus mediocridade e pode atingir todo tipo de pessoa e em qualquer faixa etária. O vírus afeta a capacidade dos neurônios de interpretação, provocando confusões entre o que é de fato importante, por exemplo: de repente o futebol parece tão mais importante que o caso de sexismo dentro de uma universidade e aqueles debates da faculdade sobre temas cotidianos são tão cansativos. Depois da confusão mental, passa o vírus a atacar o sistema límbico (o responsável pelas memórias de curto prazo), tornando mais difícil armazenar dados importantes como aquela barbaridade que você leu no jornal sobre o governo ou o nome daquele governante que foi pra CPI e ano que vem vai pedir seu voto novamente. A doença também ataca a visão, torna difícil enxergar a verdade dos fatos, o doente começa a ignorar o paradigma de felicidade imposto nas propagandas, por exemplo. Em seguida parte pra capacidade motora e deixa a pessoa completamente incapaz de fazer qualquer coisa pra mudar o meio em que vive ou até mesmo a sua própria vida, este sintoma é evidente em pensamentos como: “protestar não leva a lugar nenhuma” ou “ah, nem vou naquela conferência chata porque isso nunca dá em nada”; este estágio costuma ser terminal. O leitor atento certamente notou que o comodismo quando não aleija a vítima, mata-o. Normalmente decapita o seu senso crítico e mata uma grande parte da personalidade do enfermo, que acaba virando um servidor público com cara emburrada ou um pseudo-profissional que acha que seu trabalho só serve para ganhar dinheiro e seu diploma é a melhor coisa que você pode conseguir na universidade.